Nova programação de notícias [1ª semana]
> 3ª Guerra mundial > sequência – linguística [ler a luz de …]
1.1.1 – Português [Eça de Queiroz - Contos]
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[Eça de Queiroz]
No Moinho
“É uma fada! É uma fada!...
Foi por isso grande a excitação na casa, quando João Coutinho recebeu uma carta do seu primo Adrião, que lhe anunciava que em duas ou três semanas ia chegar à vila. Adrião era um homem célebre, e o marido de Maria da Piedade tinha naquele parente um orgulho enfático. Assinara mesmo um jornal de Lisboa, só para ver o seu nome nas locais e na crítica. Adrião era um romancista: e o último livro, «Madalena», um estudo de mulher trabalhado a grande estilo, de uma análise delicada e subtil, consagrara-o como um mestre. A sua fama, que chegara até à vila, num vago de legenda, apresentava-o como uma personalidade interessante, um herói de Lisboa, amado das fidalgas, impetuoso e brilhante, destinado a uma alta situação no Estado. Mas realmente na vila era sobretudo notável por ser primo do João Coutinho.
D. Maria da Piedade ficou aterrada com esta visita. Via já a sua casa em confusão com a presença do hóspede extraordinário. Depois a necessidade de fazer mais toilette, de alterar a hora do jantar, de conversar com um literato, e
tantos outros esforços cruéis!... E a brusca invasão daquele mundano, com as suas malas, o fumo do seu charuto, a sua alegria de são, na paz triste do seu hospital, dava-lhe a impressão apavorada de uma profanação. Foi por isso um alívio, quase um reconhecimento, quando Adrião chegou, e muito simplesmente se instalou na antiga estalagem do Tio André, à outra extremidade da vila. João Coutinho escandalizou-se: tinha já o quarto do hóspede preparado, com lençóis de rendas, uma colcha de damasco, pratas sobre a cómoda, e queria-o todo p ara si, o primo, o homem célebre, o grande autor... Adrião, porém recusou:
— Eu tenho os meus hábitos, vocês têm os seus... Não nos contrariemos, hem?... O que faço é vir cá jantar. De resto, não estou mal no Tio André... Vejo da janela um moinho e uma represa que são um quadrozinho delicioso... E ficamos amigos, não é verdade?
Maria da Piedade olhava-o assombrada: aquele herói, aquele fascinador por quem choravam mulheres, aquele poeta que os jornais glorificavam, era um sujeito extremamente simples — muito menos complicado, menos espetaculoso que o filho do recebedor! Nem formoso era: e com o seu chapéu desabado sobre uma face cheia e barbuda, a quinzena de flanela caindo à larga num corpo robusto e pequeno, os seus sapatos enormes, parecia-lhe a ela um dos caçadores de aldeia que às vezes encontrava, quando de mês a mês ia visitar as fazendas do outro lado do rio. Além disso não fazia frases; e a primeira vez que veio jantar, falou apenas, com grande bonomia, dos seus
negócios. Viera por eles. Da fortuna do pai, a única terra que não estava — devorada, ou abominavelmente hipotecada, era a Curgossa, uma fazenda ao pé da vila, que andava além disso mal arrendada... O que ele desejava era vendê-la. Mas isso parecia-lhe a ele tão difícil como fazer a «Ilíada»! ... E lamentava sinceramente
ver o primo ali, inútil sobre uma cama, sem o poder ajudar nesses passos a dar com os proprietários da vila. Foi por isso, com grande alegria, que ouviu João Coutinho declarar-lhe que a mulher era uma administradora de primeira ordem, e hábil nestas questões como um antigo rábula!...
— Ela vai contigo ver a fazenda, fala com o Teles, e arranja-te isso tudo... E na questão de preço, deixa-a a ela!...
— Mas que superioridade, prima! — exclamou Adrião maravilhado. — Um anjo que entende de cifras!. [p. 59-61]
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[0001] Jornal o Diário de Notícias
Data do acesso
[Hora de Portugal 06:18 – > 14/02/2026 = 27/11/5786 = 28/09/1447]
<Risco de inundações no Mondego ainda é significativo. Marcelo sugere discussão sobre fundo para calamidades>
Marcelo Rebelo de Sousa está de novo em Alcácer do Sal e sugere criação de fundo para calamidades. O Presidente da República regressou, numa visita não anunciada, a Alcácer do Sal para se inteirar da situação após as várias inundações registadas nas últimas semanas. Marcelo Rebelo de Sousa está neste momento a percorrer a zona ribeirinha na companhia da presidente da Câmara local. O chefe de Estado diz que falou durante a viagem com o presidente da Associação Portuguesa de Seguradores, que lhe transmitiu que houve até ao momento cerca de 100 mil participações, das quais despacharam até agora 12 mil, tendo avançado 5 mil, sendo a grande maioria habitação. Salientou a falta de peritos. Marcelo referiu ainda a situação daqueles que não têm seguro. "Um problema imediato é como dar a esses estabelecimentos condições de desafogo financeiro para poderem voltar a trabalhar", disse, questionando até que ponto o Estado poderá intervir, tendo em conta que Portugal não tem um fundo para calamidades. A existir, como acontece em França e Espanha, segundo referiu, serviria "para fazer face a situações de maior envergadura", "que exigem um investimento extraordinário que os orçamentos do Estado não podem cobrir". Para o presidente da República a existência desse fundo de calamidade poderá ser alvo de um debate no futuro, bem como o valor do mesmo. Ontem, em Coimbra, também numa visita surpresa, o Presidente da República apelou às seguradoras para agilizarem as peritagens, notando que está a demorar-se muito tempo com os relatórios de sinistro. A autarca de Alcácer salientou a necessidade de um pacote financeiro para a recuperação, uma vez que maior parte do investimento está alocado à despesa. "Eu tinha que vir cá outra vez para fazer a comparação entre o que vi antes e agora e para ter a noção exata dos prejuízos", disse. Esperava que houvesse muitos prejuízos, não esperava que houvesse esta capacidade de recuperação", acrescentou, notando que a população já estava a recuperar de uma inundação quando as águas voltaram a subir e a inundar aquela zona. Notando que "estas calamidades vêm quando não se espera, ultrapassam o que se previa, demoram mais tempo do que se pensa e tudo acontece a um ritmo alucinante, Marcelo Rebelo de Sousa realçou que deixam " consequências para muito tempo e a política tradicional não está pensada para este ritmo".
Questonado acerca da eleição para as presidenciais que vai acontecer amanhã em Álcacer do Sal e noutros município e freguesias mais atingidos pelas intempéries, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que no fim de semana passado ficou provado que "quanto maior é o desafio mais lá estão na mesa de voto". [Sofia Fonseca]
→ link (acessado 14/02/2026): https://www.dn.pt/sociedade/vrias-linhas-ferrovirias-com-troos-suspensos
[0002] Jornal o Diário de Notícias
Data do acesso
[Hora de Portugal 14:12 – > 14/02/2026 = 27/11/5786 = 28/09/1447]
<Ex-primeiro-ministro israelita Ehud Barak: “Arrependo-me do momento em que conheci Epstein em 2003”>
Barak admitiu que poderão vir a ser revelados novos materiais sobre a sua relação com Epstein nas próximas semanas, pelo “facto de ter tido uma relação comercial e social com ele durante 15 anos". O antigo primeiro-ministro israelita Ehud Barak confessou arrepender-se de ter mantido uma relação próxima com Jeffrey. Epstein após a sua primeira condenação por crimes sexuais, em 2008, e antes da abertura da investigação mais ampla ocorrida em 2019, mas recusou ter feito parte de quaisquer atividades ilegais. “Posso afirmar com toda a certeza que me arrependo do momento em que o conheci, em 2003”, referiu Barak numa entrevista à televisão israelita Canal 12 transmitida na quinta-feira à noite, 12 de fevereiro. “Em todos os 15 anos em que conheci [Epstein], nunca presenciei qualquer ocorrência ou comportamento inadequado”. Barak foi apresentado a Jeffrey Epstein num grande evento em Washington, em 2003, pelo ex-presidente israelita Shimon Peres, que se referiu a ele como sendo um “bom judeu”. “Sou responsável por todas as minhas ações e decisões. Há espaço para questionar se deveria ter investigado mais a fundo. Lamento não o ter feito”, disse ainda o antigo governante. Na mesma entrevista, o antigo primeiro-ministro israelita, de 84 anos, foi questionado sobre as revelações de que ficou hospedado várias vezes num apartamento de Epstein em Nova Iorque entre 2015 e 2019, justificando que era era útil quando visitava a cidade, pois podia deixar lá os seus pertences, sublinhando ser o “direito de cada cidadão” de ficar num imóvel de alguém conhecido, não havendo qualquer ilegalidade nisso. E notou que, nesse período já não estava à frente do governo de Israel, cargo que ocupou entre 1999 e 2001. De acordo com o Times of Israel, Barak foi ainda questionado pelo Canal 12 sobre declarações que fez numa gravação de 2014, que faz parte dos documentos publicados pela justiça dos EUA, na qual diz a Epstein que “muitas jovens e bonitas raparigas, altas e esbeltas, viriam da Rússia para Israel” e explica-lhe ter dito ao presidente Vladimir Putin que a imigração russa poderia compensar o crescimento da população árabe. O antigo líder israelita justificou-se, dizendo que ter usado “uma escolha infeliz de palavras, com associações a estereótipos irracionais”, perguntando aos telespectadores se não não falavam da mesma forma em conversas privadas. “Não me orgulho desta escolha de palavras, mas não o disse a Putin”, acrescentou. Ehud Barak admitiu ainda que poderão vir a ser revelados novos materiais sobre a sua relação com Jeffrey Epstein nas próximas semanas, pelo “facto de ter tido uma relação comercial e social com ele durante 15 anos". Mas garantiu que nada de "inapropriado" será descoberto. “Eu não sabia da natureza dos seus crimes até 2019, e você provavelmente também não sabia”, concluiu. [Ana Meireles]
→ link (acessado 14/02/2026): https://www.dn.pt/internacional/ex-primeiro-ministro-israelita-ehud-barak-arrependo-me-do-momento-em-que-conheci-epstein-em-2003
[0003] Jornal o Diário de Notícias
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[Hora de Portugal 07:37 – > 14/02/2026 = 27/11/5786 = 28/09/1447]
<EUA querem uma Europa forte e dizem-se prontos para liderar a restauração da ordem mundial >
Num discurso conciliador, o secretário de Estado norte-americano disse que os Estados Unidos “serão sempre um filho da Europa”. Mas fez duras críticas à ONU. O secretário de Estado norte-americano defendeu este sábado, 14 de fevereiro, que a ONU “não desempenha qualquer papel” na resolução de conflitos e que os Estados Unidos, sob a liderança do Presidente Donald Trump, estão prontos para liderar "a restauração” da ordem mundial. Marco Rubio, que falava na Conferência de Segurança de Munique, que começou na sexta-feira e vai até domingo, sublinhou que os Estados Unidos pretendem uma Europa que “seja forte” e que as duas partes estão destinadas a “estarem juntas”. “Queremos que a Europa seja forte. Acreditamos que a Europa pode sobreviver. As duas partes existem para estarem juntas”, disse Rubio na 62.ª edição da conferência, considerada o principal encontro mundial de especialistas em políticas de segurança. Na conferência de Munique, no sul da Alemanha, em que estão presentes mais de 60 líderes mundiais e cerca de 100 ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, Rubio salientou que os Estados Unidos “serão sempre um filho da Europa”. “Queremos que a Europa seja forte, acreditamos que a Europa pode sobreviver. Não queremos aliados fracos, porque isso enfraquece-nos. Queremos aliados capazes de se defender para que nenhum adversário seja alguma vez tentado a testar a nossa força coletiva”, declarou Rubio, numa altura em que Trump afirmou recentemente que o continente está ameaçado de um “apagamento civilizacional”. Sobre as Nações Unidas, o secretário de Estado norte-americano frisou que a organização liderada pelo português António Guterres desempenhou “praticamente um papel nulo” na resolução de conflitos e apelou para uma reforma das instituições mundiais. “As Nações Unidas continuam a ter um enorme potencial para ser um instrumento ao serviço do bem no mundo. Mas não podemos ignorar que, hoje, nas questões mais urgentes com que nos deparamos, não têm respostas e praticamente não desempenharam qualquer papel. Não conseguiram resolver a guerra em Gaza”, afirmou, numa altura em que Trump criou um “Conselho de Paz” destinado a ajudar a resolver conflitos. Na sua intervenção, feita um ano após um discurso inflamado do vice-presidente norte-americano, JD Vance, contra o ‘velho continente’, Rubio referiu que os Estados Unidos não procuram “dividir”, mas sim “revitalizar” a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). “E, embora estejamos preparados, se necessário, para agir sozinhos, preferimos e esperamos agir convosco, nossos amigos aqui na Europa”, acrescentou o chefe da diplomacia norte-americana. Para Rubio, os Estados Unidos serão “guiados pela visão de um futuro tão orgulhoso, soberano e vital como o passado da nossa civilização”. “[Washington] não procura dividir, mas sim revitalizar a aliança atlântica entre os Estados Unidos e a Europa”, acrescentou Rubio, numa mensagem de apaziguamento dirigida aos líderes europeus. “Não procuramos dividir, mas revitalizar uma velha amizade e renovar a maior civilização da história da humanidade. O que queremos é uma aliança revigorada”, afirmou. Sobre o conflito desencadeado pela invasão russa da Ucrânia, iniciado em fevereiro de 2022, Rubio afirmou “desconhecer” se Moscovo está a falar a sério quando diz que quer pôr fim à guerra na Ucrânia. “Não sabemos se os russos estão a falar a sério na sua vontade de pôr termo à guerra”, admitiu Rubio, quando está prevista para a próxima semana uma nova ronda de negociações entre as partes em Genebra, mediadas pelos Estados Unidos, que têm vindo a pressionar Moscovo e Kiev para que assinem rapidamente um acordo de paz. [DN/Lusa]
→ link (acessado 14/02/2026): https://www.dn.pt/internacional/eua-querem-uma-europa-forte-e-dizem-se-prontos-para-liderar-a-restaurao-da-ordem-mundial?utm_source=website&utm_medium=related-stories
[0004] Jornal o Diário de Notícias
Data do acesso
[Hora de Portugal 07:37 – > 13/02/2026 = 26/11/5786 = 27/09/1447]
< EUA enviam o maior porta-aviões do mundo para o Médio Oriente para pressionar o Irão >
Donald Trump justificou que este porta-aviões "estará pronto" a intervir se não houver um acordo com as autoridades iranianas. Se as negociações não forem bem-sucedidas "será um dia mau para o Irão".
Os Estados Unidos enviaram o porta-aviões Gerald R. Ford, o maior do mundo que estava no mar das Caraíbas, para o Médio Oriente como uma forma de fazer face ao aumento da tensão com o Irão. Desde o início do ano, este porta-aviões tem estado numa operação de escolta de navios venezuelanos, mas agora vai colocar a sua capacidade para 75 aviões e cerca de 4500 operacionais numa das zonas de maior tensão do mundo. O Gerald R. Ford tem 334 metros de comprimento e permite realizar até 160 missões por dia, mais 40 que os outros porta-aviões da frota norte-americana. "Caso não cheguemos a um acordo, precisaremos dele... se precisarmos, ele estará pronto", justificou Donald Trump, presidente dos EUA, esta sexta-feira, 13 de fevereiro, sobre esta missão, mostrando-se no entanto confiante de que as negociações com o Irão serão bem-sucedidas, mas alertou: "Se não forem, será um dia mau para o Irão." Um dos funcionários da embarcação, que falou à Reuters sob condição de anonimato, revelou que o porta-aviões vai demorar pelo menos uma semana para chegar ao Médio Oriente, onde se juntará ao porta-aviões Abraham Lincoln, a vários navios de guerra com mísseis, caças e aviões de vigilância, que foram deslocados para aquela região nas últimas semanas. A última vez que os Estados Unidos tiveram dois porta-aviões naquela região do globo em junho, na altura dos ataques contra instalações nucleares iranianas. Em comunicado, o Comando Sul dos EUA, que supervisiona as operações militares americanas na América Latina, revelou que irá manter-se ativo no combate às "atividades ilícitas e aos atores maliciosos no Hemisfério Ocidental". [Carlos Nogueira]

