Programação de notícias - Semana 4



> A apostasia no ocidente e o comunismo da China > sequência – linguística [ler a luz de …]

4.1.1 – Português [Fernando Pessoa – O livro do desassossego]

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1º PARTE
DIÁRIO DE BERNARDO SOARES

Ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa

1.
Nasci num tempo em que a maioria dos jovens tinham perdido a crença em Deus, pela mesma razão que os seus maiores a tinham tido — sem saber porquê. E então, porque o espírito humano tende naturalmente para criticar porque sente, e não porque pensa, a maioria desses jovens escolheu a Humanidade para sucedâneo de Deus. Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem veem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado. Por isso nem abandonei Deus tão amplamente como eles, nem aceitei nunca a Humanidade. Considerei que Deus, sendo improvável, poderia ser, podendo pois dever ser adorado; mas que a Humanidade, sendo uma mera ideia biológica, e não significando mais que a espécie animal humana, não era mais digna de adoração do que qualquer outra espécie animal. Este culto da Humanidade, com os seus ritos de Liberdade e Igualdade, pareceu-me sempre uma revivescência dos cultos antigos, em que animais eram como deuses, ou os deuses tinham cabeças de animais.
Assim, não sabendo crer em Deus, e não podendo crer numa soma de animais, fiquei, como outros da orla das gentes, naquela distância de tudo a que comummente se chama a Decadência. A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia. A quem, como eu, assim, vivendo não sabe ter vida, que resta senão, como aos meus poucos pares, a renúncia por modo e a contemplação por destino? Não sabendo o que é a vida religiosa, nem podendo sabê-lo, porque se não tem fé com a razão; não podendo ter fé na abstração do homem, nem sabendo mesmo que fazer dela perante nós, ficava-nos, como motivo de ter alma, a contemplação estética da vida. E, assim, alheios à solenidade de todos os mundos, indiferentes ao divino e desprezadores do humano, entregamo-nos futilmente à sensação sem propósito, cultivada num epicurismo subtilizado, como convém aos nossos nervos cerebrais.
Retendo, da ciência, somente aquele seu preceito central, de que tudo é sujeito às leis fatais, contra as quais se não reage independentemente, porque reagir é elas terem feito que reagíssemos; e verificando como esse preceito se ajusta ao outro, mais antigo, da divina fatalidade das coisas, abdicamos do esforço como os débeis do entretimento dos atletas, e curvamo-nos sobre o livro das sensações com um grande escrúpulo de erudição sentida. Não tomando nada a sério, nem considerando que nos fosse dada, por certa, outra realidade que não as nossas sensações, nelas nos abrigamos, e a elas exploramos como a grandes países desconhecidos. E, se nos empregamos assiduamente, não só na contemplação estética mas também na expressão dos seus modos e resultados, é que a prosa ou o verso que escrevemos, destituídos de vontade de querer convencer o alheio entendimento ou mover a alheia vontade, é apenas como o falar alto de quem lê, feito para dar plena objetividade ao prazer subjetivo da leitura.(p.13 - 14)


[0001] Diário de Leiria 
    [15/03/2026=26/12/5786=27/10/1447]

<Combustíveis aumentam na próxima semana>

Redação, Março 11, 2026. 19:00 - Aumentos nos preços dos combustíveis podem ainda ser amenizados pelo desconto no ISP, pelo que o cálculo dos aumentos será mais concreto no final desta semana
Gasóleo e gasolina: nenhum escapa.
A próxima semana deverá trazer novos aumentos expressivos nos preços dos combustíveis em Portugal, à semelhança do que aconteceu no início desta semana, o que acompanha a subida dos preços nas negociações.
Fontes do setor citadas pela SIC Notícias estimam que o gasóleo pode sofrer um aumento de 15 cêntimos e de que a gasolina deverá subir 11 cêntimos.
Se se confirmarem estas subidas, o gasóleo sobe mas menos do que esta semana e a gasolina sofre um aumento mais significativo.

[0002] Diário de Leiria
    [15/03/2026=26/12/5786=27/10/1447]

<Rendas das casas sobem 5,2% em fevereiro

Agências, Março 11, 2026 . 11:45 - A região com a variação mensal positiva mais elevada foi a Madeira
As rendas das casas por metro quadrado aumentaram 5,2% em fevereiro face ao mesmo mês de 2025, mais 0,1 pontos percentuais do que em janeiro, tendo todas as regiões registado crescimentos homólogos, informou hoje o INE.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em fevereiro “todas as regiões apresentaram variações homólogas positivas das rendas de habitação, tendo a Madeira registado o aumento mais intenso (7,0%)”.
Em termos mensais, o valor médio das rendas de habitação por metro quadrado registou uma variação de 0,6%, face a 0,8% no mês anterior.
A região com a variação mensal positiva mais elevada foi a Madeira (0,7%), não se tendo observado qualquer região com variação negativa do respetivo valor médio das rendas de habitação.

[0003] Diário de Leiria
    [15/03/2026=26/12/5786=27/10/1447]

<Governo atento aos preços tomará medidas se subidas persistirem>

Lusa, Março 13, 2026 . 18:00 - O Governo acompanha a evolução dos preços e promete medidas caso a alta se prolongue, disse hoje o ministro Manuel Castro Almeida
O ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, garantiu hoje que o Governo está “a olhar com atenção” para a evolução dos preços e tomará medidas se as subidas perdurarem “mais de quatro ou cinco semanas”.
“O Governo está todos os dias a olhar com atenção para os preços dos diversos produtos, da gasolina e dos derivados do petróleo e não só, e estamos sempre a ponderar medidas que possam vir a ser tomadas caso estas alterações tenham uma natureza estrutural”, disse o governante em declarações aos jornalistas no Porto, à margem da assinatura de contratos de financiamento de 12 projetos turísticos no âmbito do programa “Crescer com o Turismo”.
Afirmando não terem sido neste momento decididas novas medidas além do desconto em vigor no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), Castro Almeida clarificou, contudo, que “se estas alterações [de preços] perdurarem no tempo, mais de quatro ou cinco semanas, transformam-se num problema estrutural que pode precisar de uma intervenção do Estado”.
“Se a guerra acabar rapidamente, não haverá nenhum problema estrutural. Se a guerra se prolongar, aí justifica-se uma intervenção do Governo”, acrescentou.
No caso específico dos combustíveis, que deverão aumentar mais 10 cêntimos na próxima semana, o ministro salientou que “o Governo tomou medidas logo nos primeiros dias da guerra, no sentido de ajustar o sistema fiscal da gasolina e do gasóleo para diminuir o aumento dos preços” e “não tirar vantagens fiscais da guerra” do Irão.
Segundo referiu, é para manter a atual política em vigor de descontar no preço da gasolina e do gasóleo, via ISP, “todo o valor pago acima de 10 cêntimos” (por litro) em relação ao preço em vigor antes do início da guerra.
Questionado sobre se o turismo português poderá beneficiar de um desvio de rotas do Médio Oriente, Manuel Castro Almeida afirmou que “objetivamente isso é verdade” e avançou que “já se começa a sentir um aumento de procura e de reservas” por todo o país.
“Isso não legitima a guerra, não queremos a guerra para valorizar turismo, mas objetivamente é um acréscimo de procura que já se começa a sentir por causa do efeito da guerra", disse.
A guerra foi desencadeada pela ofensiva de grande escala lançada contra o Irão pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro.
O Irão respondeu com ataques contra os países vizinhos e contra petroleiros no estreito de Ormuz.

[0004] Diário de Leiria
    [15/03/2026=26/12/5786=27/10/1447]

<Governo garante mecanismos europeus para proteger consumidores se gás subir 70% > 

Lusa, Março 14, 2026. 16:00 - A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou que a União Europeia dispõe de mecanismos para apoiar consumidores e empresas caso o preço do gás aumente cerca de 70%
A ministra do Ambiente e Energia disse hoje, na Marinha Grande, que existem vários mecanismos europeus, que poderão ser acionados caso o preço do gás aumente cerca de 70%, no sentido de ajudar os consumidores e empresas.
“Se chegarmos a um aumento do gás que corresponda a cerca de 70%, nem precisamos de nova legislação europeia, os Estados-membros podem atuar, e podem atuar no sentido de ajudar os consumidores e as empresas”, disse Maria da Graça Carvalho à margem de uma visita à Praia da Vieira, no concelho da Marinha Grande, distrito de Leiria.
Segundo a ministra, existem “vários instrumentos preparados para atuar”.
“Trabalhei muito nesta legislação europeia, porque estava no Parlamento
Europeu quando foi a crise da Ucrânia, e um dos meus trabalhos foi exatamente preparar o regulamento do gás, o regulamento da eletricidade, o desenho do mercado elétrico europeu para crises, definir os critérios de uma crise energética”, acrescentou a governante.
Para Maria da Graça Carvalho, a “maior dificuldade e fragilidade é exatamente o preço do gás”, um combustível “essencial para alguns setores industriais”.
“Aqui nesta zona é importantíssimo, pois temos o vidro e a cerâmica, dois setores que precisam mesmo de gás para o seu funcionamento”, disse a governante.
A ministra acrescentou que “haverá a possibilidade, quando se decretar emergência energética, de o Estado-membro, se assim decidir, e em consonância com a Comissão Europeia, atuar nesse sentido, sem necessidade de autorização da Direção-Geral da Concorrência, nem de nova legislação europeia, nem nacional”.
Maria da Graça Carvalho sublinhou ainda que o “gás também tem influência no preço da eletricidade”, pelo que “também quando for decretada a emergência energética, há possibilidades de limitar essa interferência do preço do gás no preço da eletricidade”.
Reforçando que o Governo está preparado para os vários cenários, a ministra considerou que “esta é uma semana importante”, uma vez que “começa com o Conselho Energia e o Conselho Ambiente” e “no fim da semana há o Conselho Europeu em que vai o senhor primeiro-ministro”, onde estes assuntos serão discutidos.
Esperando que a “emergência energética não chegue”, a governante observou que “se a guerra não parar” será necessário “atuar com certeza”.
Sobre a energia nuclear, Maria da Graça Carvalho considerou que com o potencial que Portugal tem relativamente às energias renováveis, “não faz sentido”.
“A energia nuclear é muito importante para alguns dos países. Por exemplo, França tem nuclear, tem condições boas para o ter e não tem grandes riscos sísmicos. Nós, neste momento, não temos capacidade de o fazer, nem dimensão que o exija”, afirmou, insistindo que esta energia é procurada, sobretudo, por países “com alguma dimensão, sem instabilidade sísmica e que tenham pouco potencial de renováveis”.
Para Maria da Graça Carvalho, a prioridade de Portugal são as energias renováveis, porque “são competitivas” e representam a “independência energética” do país.
“São muito mais baratas do que qualquer outro tipo de energia. Nos dois primeiros meses deste ano, tivemos 83% de eletricidade de origem renovável e queremos ir mais além. Queremos continuar a eletrificar os transportes e os edifícios”, rematou.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano".
Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também atingiram Chipre, Azerbaijão e Turquia.

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